A culpa é do posto ou do imposto?

CANAL DO ERREJOTA

Todos os anos a CDL (câmara dos dirigentes lojistas) assim como diversos órgãos patronais usam o dia livre de imposto como tentativa de alertar a população a respeito dos altos impostos cobrados sobre consumo numa cadeia que parece não ter fim. O objetivo dessa campanha é mostrar que os altos preços cobrados pelas empresas estão recheados da gula governamental que sufocam as famílias com altas taxas tributárias. Afinal essa campanha tem dado certo? Será que depois de 14 anos a campanha mostrou algum resultado? Vamos descobrir.

O contribuinte brasileiro trabalha para o estado mais de 5 meses todos os anos. É como se a família iniciasse seu ano no mês de janeiro sem pegar em nenhum tostão e só começasse a comprar ou consumir algo a partir de meados de junho. As empresas não ficam de fora pois gastam mais de 2000 horas contabilizando impostos gastando um fortuna em mão de obra especializada nessa contabilização tributária. Estamos numa realidade que não permite ao consumidor ter um pouco de liberdade financeira devido a alta carga de impostos.

Tem países com carga tributária maior que o brasil? Tem sim, mas o problema é o retorno desses impostos. Educação, saúde e serviços essenciais sempre foram problemas em terras brasileiras. Se o problema é o imposto onde está o erro do revendedor de combustíveis em aderir ao DLI (dia livre de imposto)? Simples de explicar.

Depois de 14 anos fazendo essa campanha não se vê nenhuma movimentação popular cobrando redução de impostos. As pessoas não conseguem enxergar essa conexão, entre preços altos dos produtos e a carga tributária incidida neles, e as pessoas usam esse dia livre de imposto como uma companha de marketing qualquer aproveitando o momento, enfrentando filas para poder comprar algo de seu desejo que esteja mais barato. Culturalmente o consumidor brasileiro não consegue conectar os altos preços dos produtos de consumo à culpa governamental e assim depois de quase uma década e meia de campanha nenhum resultado de conscientização foi conquistado, nada foi modificado.

A revenda de combustíveis tem que aderir a campanha: A culpa é do imposto, e não do posto! Modificando a sistemática de desconto e oferecendo produto sem a sua margem de contribuição bruta (valor da diferença do preço que se compra e o preço que se vende) isso de forma mais frequente. Os revendedores de combustíveis precisam mostrar a todos qual percentual é responsabilidade do posto de gasolina nesse preço monstruoso e inflado de impostos estaduais e federais. Hoje o maior sócio de qualquer posto de combustível é o governo! Isso mesmo! O estado fica com mais de 50% do valor que você paga na gasolina isso sem investir em nada dentro do negócio.

A revenda de combustíveis precisa mudar a cultura perceptiva do consumidor de que essa data é um momento de economizar e sim conscientizá-lo que este é um momento de se revoltar, de se cobrar e se protestar. Se um posto de gasolina zerar a sua margem de contribuição, trabalhando de graça pro consumidor, o preço final não chega a cair 15%, enquanto retirando os impostos o preço cai mais de 50%. Mas isso é ruim para o consumidor? Não! Pior para o consumidor é viver numa redoma achando que os postos de combustíveis cometem preços abusivos enquanto o governo  se esconde atras dessa percepção do consumidor e usa essa receita da forma como bem entender. O problema dos altos preços não está no posto que fica com uma das menores parcelas do preço final.

Os postos de gasolina precisam entender que essa campanha, focada no percentual que lhe compete, é mais importante porque explica ao consumidor o raio de influência de um posto revendedor no preço final da gasolina. Depois de 14 anos ficou claro que o dia livre de impostos virou uma campanha publicitária sem fundamento que apenas é utilizada como proposta de marketing visto que o consumidor não enxergou a mensagem por trás dela e aproveita para economizar.

O consumidor precisa entender seu papel nesse processo de cobrança e a mensagem deve ser enviada de forma correta a quem realmente pode mudar essa situação: O congresso brasileiro. O revendedor de combustíveis precisa entender que essa campanha não surtiu efeito e ainda existe a estigma de que o posto de gasolina é culpado pelos preços abusivos. Continuar desse jeito não vai mudar. A culpa é do Imposto e não do posto.

 

Roberto James

Administrador de empresas

Especialista em comportamento do consumidor

Mestrando em Psicologia pela UNP