Para quem compra à vista ou para quem paga no cartão?

CANAL DO ERREJOTA

Quando se chega numa loja e pergunta-se o preço de um produto sempre vem aquela pergunta pós informação: a vista tem desconto? Por que é comum se ouvir essa pergunta? Simples! É de conhecimento de todos que o lojista ao receber uma compra no cartão de crédito não tem a disponibilidade do dinheiro imediatamente e mesmo assim terá que pagar uma taxa sobre o valor comercializado. Isso mesmo, a facilidade de não precisar pagar imediatamente é cobrada, não sabia disso? O consumidor não paga diretamente no ato da compra nenhuma taxa, mas paga sobre o valor que o lojista inclui em seus custos e paga também taxas de anuidade do cartão de crédito entre outros. Não existe almoço de graça.

O mercado de consumo a cada dia tem exigido mais facilidades no processo de pagamento e com isso as operadoras de crédito têm crescido e abocanhado um grande número de adeptos para o seu bolo. O grande problema dessas operações são as grandes taxas cobradas, que diferem o mercado brasileiro de diversos outros mercados no mundo. Sempre com o discurso pronto das altas taxas de inadimplência, os bancos e operadoras conseguem justificar taxas cobradas de forma abusiva. Vejam o exemplo dos postos de gasolina.

As taxas cobradas para os postos de gasolina variam entre 3 e 7% sobre o valo bruto. Considerando o valor de R$ 4,50 para um litro, ao passar o cartão de crédito o posto pagará as operadoras e bancos o valor de R$ 0,23 centavos. Parece pouco, não é? Mas levando-se em conta que a margem bruta que fica com o posto de gasolina gira em torno de 15%, sendo assim  R$ 0,68 centavos por litro, abatendo a taxa de cartão vemos que as operadoras de credito/bancos, em média ficam com 30% da margem bruta (diferença entre o preço de compra e de revenda) do posto. E assim também acontece nos demais setores do varejo. Altas taxas, poucas opções de bancos e as operadoras de cartão de crédito seguem abocanhando o mercado sem produzir produto, bem ou serviço algum. No ano de 2019 os brasileiros movimentaram quase 2 trilhões de reais em compras nos cartões de crédito e debito. Este dado mostra a grande concentração dos bancos sobre o comercio varejista brasileiro.

Em mercados como o dos EUA e China as coisas funcionam diferente. No primeiro temos a grande concorrência dos bancos, enquanto o Brasil migra mais de 70% do mercado em 5 bancos nos estados unidos existem mais de 300 instituições bancarias dividindo o bolo. No caso da China, apesar do regime autoritário, o governo já permite há décadas a transferência de dinheiro entre pessoas e empresas sem precisar passar pelos bancos e com isso faz com que as taxas, tanto nos EUA quanto na China caiam substancialmente.

No Brasil está para estrear o PIX, o app do banco central que promete permitir transferência de dinheiro entre pessoas físicas sem a necessidade de bancos e isso promete acirrar ainda mais o mercado de crédito e débito. Recentemente também o Facebook tentou iniciar as atividades de transferência de recursos pelo aplicativo WhatsApp, mas foi barrado por decisão monocrática do Banco central brasileiro depois do forte lobby dos principais bancos. Isso prova que as novas modalidades de transferência de recursos sem precisar das instituições bancarias podem sim trazer um modelo de mercado mais competitivo e ainda assim favorecer o consumidor.

Quando uma loja faz o preço de a vista no cartão de credito está claro que ela está diminuindo a margem de contribuição da empresa em detrimento da venda. Isso feito de forma estratégica pode impulsionar as vendas e trazer bons resultados, mas como regra geral só atrapalha, tira a credibilidade das ações de desconto e cria um ambiente de falsas relações comerciais.  O desconto para o preço a vista deve ser dado como forma de premiar aquele que poupou, tem recursos financeiros e está disposto a coloca-los para movimentação no sistema financeiro imediatamente.

O pagamento pelo cartão de crédito, como já ficou claro nos parágrafos anteriores, está cheio de custos e coloca mais um sócio no sistema comercial sem que ele produza nada, apenas financie facilidades e cobre bem caro por elas.

O pagamento a vista deve ser premiado com desconto, o pagamento no cartão de crédito deve ser diferenciado para que a loja possa manter bons descontos nos preços à vista e possa manter sua saúde financeira contribuindo para o fortalecimento do comercio.

 

Roberto James

Administrador de empresas

Especialista em comportamento do consumidor

Mestrando em Psicologia pela UNP

Fonte: bompracredito.com.br